Sempre acima dos 1000 metros e por velhos caminhos de almocreves que cruzam os planaltos, a serra de Montemuro contêm encantos de largos horizontes e de respiração suspensa pela enormidade da paisagem. Daqui até onde a vista alcança, vê-se o Douro e o Bestança e todo um desfile de pormenores que fazem a diferença.
No alto, como que a reinar sobre todo este verde luxuriante, está o Solar do Montemuro, em Tendais, a escassos 10 km de Cinfães. Uma casa tradicional onde reinam a posta arouquesa e as especialidades confeccionadas com vitela e cabrito. Há também umas invulgares e saborosas papas de perdiz e bacalhau à Azenha.
Por estas bandas, para onde corre uma indefectível legião de gastrónomos, ganhou o epíteto de “ Catedral Gastronómica” e assim tem permanecido.
O edifício, construído para aproveitar a passagem da água, que escorre por toda a serra do Montemuro, é um imenso miradouro para lavar a alma e carpir as mágoas da vida agitada. Aqui o tempo corre a nosso favor.
O Solar é um restaurante típico, sendo o único na região de Turismo Douro e Sul com esta honrosa classificação de qualidade. Fernando e Armando Campos são os proprietários e entendidos deste genuíno estabelecimento de restauração, e recebem como ninguém.
O Solar situa-se na encosta da serra do Montemuro, no concelho de Cinfães. Dispõe de uma maravilhosa sala panorâmica com vista para os rios Douro e Bestança, que correm literalmente aos nossos pés. Numa das salas existe uma fonte que aproveita a água do Montemuro e corre pelo edifício.
No inverno, e porque na altitude o frio impera, há uma lareira, mas é no verão, com uma imensa esplanada aconchegada em sombras repousantes que a “ Catedral” ganha todo o seu esplendor.
Para os que apreciam momentos agradáveis entre amigos, o restaurante oferece um pequeno e charmoso salão com cozinha envidraçada.
A atmosfera é sempre muito agradável, seja de dia quando a luz do sol entra pelas amplas janelas iluminando o salão, ou seja de noite, quando as mesas estão envolvidas pela iluminação especial.
Uma característica que torna o local tão acolhedor é a presença constante da madeira nos móveis e no piso. A música ambiente é outro diferencial, a seleção é feita com paixão e bom gosto. Um verdadeiro convite para comer sem pressa!
Restaurante muito agradável, com uma vista desafogada e com uma esplanada muito apetecível principalmente no Verão. O cardápio é constituído por pratos regionais.
Situado a 1200m de altitude, na típica aldeia da Gralheira, em plena serra de Montemuro, o Restaurante Encosta do Moinho - que deve o seu nome ao facto de se localizar junto à margem do rio Cabrum, de onde são visíveis quatro moinhos de água, recentemente restaurados onde se transforma o milho e o centeio em farinha para a confeção da Broa, é um espaço de incontornável referência na região pela sua elegância, conforto e, sobretudo, pela qualidade dos seus produtos na defesa dos sabores e das tradições da cozinha regional da Serra de Montemuro.
Reunimos todas as condições para lhe garantir uma refeição com o máximo de conforto. Fica aqui o nosso convite, para provar uma das nossas especialidades. É hoje, neste restaurante com duas salas com capacidade para 80 e 130 pessoas, que os visitantes se deliciam com a mais genuína e característica cozinha regional Portuguesa.
As principais matérias-primas utilizadas na confeção dos pratos são produzidas e criadas nos campos e montes da serra, como é o caso da tronchuda (hortaliça), da batata, dos Borregos, dos Cabritos e da Vitela de raça arouquesa. Também aqui se transforma a carne de porco em deliciosas peças de fumeiro.
Imaginou ser possível comer uma pizza Lavrador ou Capucha? No Recantos dos Carvalhos, na Gralheira, uma das especialidades da cozinha italiana foi convertida no vocabulário genuíno das gentes da Serra do Montemuro, de modo a tornar mais familiar às gentes daquela freguesia, um prato que foge à gastronomia regional, explicou Alfredo Rodrigues, proprietário deste restaurante.
Se escolheu entrar em Cinfães através da Serra do Montemuro, este estabelecimento gerido pelo jovem casal Alfredo e Elizabete Rodrigues vai convidá-lo a saborear, para além deste ‘sabor estrangeiro’, o que há de mais típico e saboroso da gastronomia desta região.
A intenção desta casa localizada no Largo dos Carvalhos, passa por apostar naquilo que mais genuíno a terra oferece, desde os legumes, às carnes, aos vinhos verdes e maduros. Aqui a interioridade não constitui entrave à imaginação, já que desde o arroz de salpicão, aos pratos de forno, pizzas, o cozido de carnes ou à simples fatia de broa de milho, tudo é pensado para agradar até os paladares mais exigentes.
A Gastronomia da região é muito rica e vincadamente marcada pelos sabores de cozinha tradicional portuguesa.
As nossas especialidades passam pelo anho e cabrito assado no forno a lenha com arroz de miúdos, bacalhau à Porto Antigo, posta de vitela de raça arouquesa, os fumeiros tradicionais, cozido à Portuguesa, arroz de lampreia ou à Bordalesa ou ainda a truta grelhada, pescada no rio Bestança. Na doçaria destacam-se os doces de manteiga ou de abóbora, as rabanadas de Cinfães, entre outros doces conventuais.
Apresentamos também uma lista de vinhos muito variada, com as marcas da nossa região.
Para além de usufruir de uma belíssima vista, a sala com o nome de Serpa Pinto dispõe ainda de facilidades que permitem a realização de congressos, reuniões, casamentos ou outros serviços especiais, com uma capacidade para 170 pessoas. Contamos ainda com um Bar/Lounge com música ambiente e ainda uma sala de televisão e vídeo com vários jogos sempre ao seu dispor. Se preferir poderá almoçar ou jantar na esplanada onde poderá ainda usufruir de todo o serviço de restaurante, bar e grill e deliciar-se com um pôr de sol único.
A Muralha das Portas ocupa o lugar fronteiriço entre os concelhos de Cinfães e Castro Daire conhecido como Portas de Montemuro. Em Cinfães os vestígios da muralha encontram-se na atual União de Freguesias de Alhões, Bustelo, Gralheira e Ramires. Estando num dos pontos mais altos da Serra do Montemuro o arqueossítio encontra-se a cerca de 1220m de altitude, sendo as suas coordenadas geográficas (simplificadas) -8º00’15’’ Oeste e 40º58’12’’ Norte. O sítio foi decretado Imóvel de Interesse Público em 1974, aparecendo identificado na base de dados Endovélico com o CNS 637.
Tipologicamente pode-se considerar a Muralha das Portas como uma cerca/muralha de cronologia incerta situada num privilegiado ponto de passagem da Serra do Montemuro, com vista excecional para o Douro, o Bestança, o Paiva, a serra do Marão e até a serra da Estrela. A identificação cronológica e funcional do sítio tem sido um mistério ao longo das décadas, tendo já sido teorizado como castro, acampamento romano, castelo medieval e cerca de gado. O mistério deste arqueossítio é acrescido pelo facto de não existir nenhum estudo profundo sobre este (como uma escavação), e pelo facto de se desconhecerem quaisquer vestígios de superfície no local (excluindo as noticias de algumas inscrições, segundo a população local (PINHO, LIMA; 2000: 56)).
O monumento é constituído por uma grande cerca de pedra granítica com um perímetro superior a 1,50km, e que aproveita os acidentes naturais e os afloramentos graníticos a seu favor. Tendo os muros entre 2,5 e 3,5 metros de largura e 1,50m máximo de altura. Apesar de hoje em dia os únicos vestígios encontrados constituírem apenas a estrutura da muralha (e os alicerces de uma construção circular a sul), muitos autores como João de Almeida e Amorim Girão referem a existência de uma grande variedade de outros vestígios arquitetónicos (PINHO, LIMA; 2000: 55, 56).
Desde os anos 90 do séc. XX que se têm construído teorias mais prováveis para esta muralha, que se encontrar no lugar que conhecemos como Portas. Primeiramente, Arlando Rocha afirma que esta é uma obra inacabada, justificando esta teoria com a escassa altura da muralha e a existência de “montículos de pedra miúda a aguardar utilização” (ROCHA, 1992: 35). Concluindo que, possivelmente se tratará de uma obra da Alta Idade Média com finalidades defensivas (Idem, Ibidem: 40). António Manuel Lima parece ter a mesma opinião, caracterizando a Muralha como “o mais antigo reduto defensivo altimedieval” da zona do Montemuro (PINHO, LIMA; 2000: 55). Já Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que primeiramente interpretou o sítio como sendo um “castelo-barragem” (ou seja, uma cerca colocada num local importante de passagem com fins defensivos), mais tarde, alterará a sua opinião. Afirmando que, esta seria uma cerca de gado comparável com outras do norte do país datáveis da Alta Idade Média (Idem, Ibidem: 2000: 56). Podemos então concluir que, a Muralha das Portas será uma construção pós romana, que provavelmente teria uma função defensiva ou agrícola. Contudo, para comprovar estas teorias seria necessário um estudo muito mais aprofundado.
No âmbito de prospeções relacionadas com o sítio, foi possível notar que existem 2 fortes pontos com muralha do lado de cá da linha de divisão municipal. O primeiro encontra-se a sul da EN 321, e trata-se de um pequeno derrube de muralha em conjunto com os alicerces de um outro ponto do muro mais a oeste. O segundo apresenta-se do lado norte da EN, e é constituído pelas fundações da cerca. Contudo, à medida que se segue a fundação é possível verificar que ainda existe uma boa parte do muro ainda de pé, a cerca de 50m. A vegetação neste ponto da muralha é, porquanto, bastante densa, indicando que, possivelmente, a razão de este troço se encontrar melhor conservado se prenda com facto de estar oculto pela cobertura vegetal - reduzindo assim a probabilidade do furto da pedra.
O sítio arqueológico do Castro das Coroas situa-se na freguesia de Ferreiros de Tendais, mais precisamente no lugar conhecido como Cabouco ou Monte das Coroas.
Trata-se, tipologicamente, de um castro (povoado fortificado) datável da Idade do Ferro (embora exista a possibilidade de uma ocupação da Idade do Bronze) e com apropriação pelo menos até à época romana. O sítio, embora seja desde sempre conhecido da população local, foi pela primeira vez identificado pelo engenheiro Augusto Miranda Pinto nos anos 70. Devido a um erro do IGESPAR o sítio foi registado duas vezes na base de dados Endovélico apresentando desta maneira dois Códigos Nacionais de Sítio (CNS).
Este povoado insere-se na chamada Cultura Castreja que se inicia no 1º milénio a. C., sendo uma das características desta, a implementação de povoados, normalmente fortificados, em cotas elevadas e numa posição estratégica com uma visão privilegiada sobre a paisagem que os rodeia – ou seja, com ótimas condições de defesa. É comum este tipo de povoados estarem nas imediações de cursos de água o que favorece a prática da agricultura, que, em conjunto com a pecuária, é uma das principais atividades económicas destas comunidades. Estas características estão bem visíveis no sítio arqueológico das Coroas, já que este se apresenta numa cota elevada (553m), numa excelente posição estratégica com vista privilegiada para o vale do rio Bestança (situando-se na margem direita deste) e para o rio Douro.
Segundo Luís Silva Pinho, o sítio arqueológico é constituído por quatro linhas de muralha que rodeiam o castro quase por completo, sendo que, a oeste, a estrutura defensiva é maioritariamente substituída pela encosta rochosa.
A área do sítio chega quase aos 6 hectares. Existem ainda vestígios de alguns torreões em aparelho poligonal, na 2ª e 3ª linha de muralha, mas é bastante provável que existam vestígios de estruturas habitacionais entre as muralhas. É também importante referir que existe a probabilidade deste aglomerado populacional ser anterior à Idade do Ferro, uma vez que foram encontrados, pelo arqueólogo Silva Pinho, materiais datáveis da pré-história (Idade do Bronze) (PINHO, 1997: 26, 27).
Durante a Romanização, que no atual território de Cinfães se terá iniciado por volta do séc. I, o Castro das Coroas, à semelhança do que acontece por todo o território português, terá também sido influenciado por este processo. Esta influência que se dá a nível cultural, linguístico e administrativo/legislativo veio alterar o modo de vida destas populações e tais alterações são também visíveis no registo arqueológico.
Segundo o arqueólogo Luís Silva Pinho o povoado das Coroas terá sido renovado e ampliado com a chegada dos romanos. Este, que os romanos passam a designar de castella (que por sua vez significa povoado fortificado), “terá tido ao longo dos séculos I e II, um estatuto urbano” (PINHO, 1997: 31). A influência e presença romana no castro é documenta por diversos vestígios arqueológicos, nomeadamente a grande quantidade de tégula aí encontrada, um forno cerâmico e o aparelho poligonal encontrado em troços de muralha. Foram ainda descobertos por Silva Pinho vestígios de superfície importantes como fragmentos de vidro Isings 3, cerâmica cinzenta fina, sigillata hispânica, fustes de colunas, um capitel e um silhar almofadado (Pinho, 1997: 31).
Junto ao Castro das Coroas passaria ainda uma via romana. Esta faria parte da estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emerita Augusta (Mérida), que passava por Tongobriga (Freixo, Marco de Canaveses) atravessava o Montemuro e ligava a Viseu, Idanha e Cáceres. Quando a via chegava às margens do rio Bestança a travessia era feita, provavelmente de barco, até Porto Antigo, onde ainda é possível ver parte da calçada romana lajeada. Depois seguiria por Boassas, Lodeiro, Fundoais, Ruivais e por fim contornaria o monte das Coroas, continuando depois a sua travessia do Montemuro (LINO, 2013: 50; 51).
Há ainda a destacar a existência, junto ao castro, de duas furnas escavadas no saibro. Os dois monumentos de grandes dimensões, dos maiores já encontrados no Concelho, parecem ter tido uso habitacional e/ou agrícola. E é muito provável que tenham sido habitados desde a Idade Média.
Época:
Séc. VIII (Fundações) - Modificada até ao Séc. XVIII
Morada:
Jardim Serpa Pinto
Caracterização:
Arquitectura religiosa, barroca e neoclássica. Igreja de nave única, transepto saliente, coro-alto, capela-mor e sacristia.
Exuberância da fachada em detrimento dos outros alçados. Fachada-torre com exonártex, solução que se repete nas Matrizes de Mezio e Moura Morta (Castro Daire). Iluminação por janelas em capialço. Abóbada de berço no transepto e capela-mor e falsa abóbada de berço de madeira na nave.
Capelas retabulares ladeiam a nave, com tipologia e decoração tardo-barroca.
Descrição:
Não obstante o arcossólio com sepultura do Séc. XIV no transepto e uma lápide epigrafada em 1388: "AD PERPETUAM REI MEMORIUM", que descrevem que o edifício inicial, alguns autores apontam a sua criação no séc. VIII, pela existência de uma pedra em arco de volta perfeita que deverá ter sido o primeiro tímpano decorado. O eifício veio a ser parcialmente destruído pelo bispo D. Manuel de Vasconcelos, por perturbar as obras de ampliação da igreja actual.
Descrição técnica:
Planta em cruz latina, regular de volumes articulados, com nave única, transepto, capela-mor mais estreita e baixa, sacristia adossada e torre sineira.
Disposição horizontal das massas, com demarcação vertical da fachada principal através da torre sineira. Coberturas em telhados diferenciados de uma e duas águas. Pilastras como elementos divisores dos panos. Remates em cornija, com pináculos e fogaréus.
Fachada principal orientada, com pórtico principal formando pequena galilé, emoldurado por pilastras, de arco polilobado, encimado por frontão aberto com aletas e óculo ladeado por dois janelões de arco abatido com cornija e avental. Estes encontram-se no enfiamento de dois óculos circulares.
Friso e, sobre ele, torre sineira de dois registos, separados por friso. O primeiro registo é cego e está ladeado por aletas e pináculos coroados por bolas assentes em plintos. O segundo tem uma sineira de arco subido em cada face, rematado por varanda de balaústres, com pináculos de bola nos chanfros e cobertura em lanternim.
Alçado Norte:
Com porta de arco abatido no corpo da nave e fresta rectangular, dois janelões rectangulares de arco abatido e com aventais. No transepto, porta de arco abatido, encimada por janelão de arco abatido, com avental. No topo do transepto, janelão. Remate em frontão interrompido curvo, pináculos e cruz. Na zona da capela-mor, sacristia em plano inferior com duas pequenas fenestrações rectangulares, junto a telhado de uma água, a que se sobrepõem dois janelões rectangulares.
Alçado Sul: igual ao anterior. Alçado tardoz tem, no topo da sacristia, porta e no corpo da capela- mor pequena fresta quadrangular e frontão interrompido curvo, com pináculos e encimado por cruz.
Interior:
Acede-se por porta centralizada, ladeada por dois arcos rebaixados, entaipados. Baptistério e coro alto com varanda, fenestrado lateralmente por janela rectangular. Dois arcos a pleno centro de diferentes tamanhos e porta rectangular. Lados do Evangelho e da Epístola possuem mobiliário semelhante, com confessionário, porta lateral encimada por janelão, retábulo e púlpito. Tecto em falsa abóbada de berço abatido, em madeira policromada com a representação do Baptismo de Cristo no rio Jordão, em zona central, rodeado por vários elementos decorativos circunscritos ao centro da abóbada e ângulos, com enrolamentos e motivos vegetalistas. Na nave, portas para o exterior. Dois arcos torais a pleno centro estabelecem a comunicação para ambos os lados do transepto, tendo, nos topos, um retábulo inscrito em arco a pleno centro encimado por janelão rectangular. No lado do Evangelho porta de arco a pleno centro encimada por escudo armoriado, de acesso a capela. No oposto, para a sacristia. Ao lado desta, arco a pleno centro encimado por brasão heráldico com arcossólio com arca funerária.
Abóbadas de canhão policromada com motivos vegetalistas. Arco triunfal a pleno centro decorado e ladeado por dois retábulos de madeira policromada. Capela-mor apresenta, aos lados, duas portas de arco rebaixado encimadas por janelões rectangulares, sendo a segunda, do lado do Evangelho, falsa. Retábulo principal de talha policromada, com trono. Abóbada de berço policromada. Sacristia com tecto de arco rebaixado e porta de acesso ao exterior. Nave e capela-mor com silhares de azulejo padrão.
Apesar do seu caráter tardio, a Igreja de Nossa Senhora da Natividade de Escamarão assume uma especial importância devido à sua implantação estratégica, na confluência dos rios Paiva e Douro.
Integrada no couto de Vila Meã, domínio do Mosteiro de Alpendorada, a povoação de Escamarão constituiu sempre uma atrativa zona de passagem à vista do próprio mosteiro, comunicando rapidamente quer com o Porto, quer com o Douro interior
A Igreja foi sagrada em honra de Santa Maria, segundo o costume monástico e no período moderno tomou a invocação da Natividade, embora no Censual de Lamego (século XVI, 1.º quartel) ainda se titule Santa Maria do Escamarão. Estava isenta de confirmação por ser vigararia anexa do Mosteiro.
Embora haja autores que defendam a precocidade desta edificação, assumindo-a como um testemunho edificado no século XII, coevo da doação do couto ao Mosteiro de Alpendorada, a inscrição em carateres góticos que se encontra ao lado do portal principal, remete a sua cronologia para finais do século XIV.
Igreja composta por nave única e capela-mor retangular, ambas definidas por maciços muros. Com exceção da janela gótica que rasga a parede fundeira da capela-mor e da pequena rosácea que ao nível da nave encima o arco triunfal, a iluminação do interior desta pequena Igreja é feita por estreitas frestas que se rasgam em ambos os alçados da nave e capela-mor. Vários autores a enquadram no chamado tardo-românico.
O portal principal e o lateral sul são rasgados na espessura do muro, não apresentando tímpano e as suas arquivoltas apoiam-se diretamente nos pés-direitos. Estamos, pois, diante de um edifício desprovido de suportes sob a forma de colunas.
Tanto o naturalismo dos motivos florais que ornam a arquivolta central do portal principal e a interior da janela gótica da capela-mor, como a forma quadrangular dos cachorros da nave e dos da proa da cabeceira concorrem para testemunhar uma cronologia tardia, algures por volta do século XIV.
Atente-se, no entanto, à persistência do formulário decorativo românico, conforme testemunham as pérolas que decoram as arquivoltas envolventes no exterior da janela da capela-mor e do arco triunfal.
De realçar a inscrição de carateres góticos que se encontra ao lado do portal principal. Apesar do seu caráter pouco legível, Mário Barroca propõe-nos a seguinte leitura: + : ERA : M : CCCC: XX : III […] / […] / […] / […] / […] / […] / […]
Sabendo nós que, por regra, a construção românica e gótica começava pela cabeceira, progredindo para a fachada, esta inscrição de Escamarão poderá indicar, mesmo que não explicitamente, que a conclusão da edificação da Igreja terá ocorrido na Era de 1423, ou seja, ano de 1385.
Na fachada sul, terá existido uma estrutura alpendrada de uma água que abrigava o portal lateral, conforme denunciam as cinco mísulas colocadas aproximadamente a meia altura das duas estreitas frestas.
No interior da Igreja impera o granito e o mobiliário litúrgico remanescente foi concebido já nos tempos modernos. Testemunhos vários informam-nos que existia, pelo menos até inícios do século XX, uma pintura mural nesta Igreja e que tem vindo a ser atribuída ao século XVI.
Aproximadamente da mesma época são os frontais dos altares colaterais da nave. Recorrendo à técnica de aresta, apresentam-se como painéis azulejares mudéjar, com policromia feita à base de ocres, verdes e azuis sobre fundo branco, formando composições padronizadas de motivos fitomórficos e florais, antecipando a moda dos azulejos tipo tapete que irão estar em voga no século XVII.
O retábulo-mor desta Igreja foi concebido dentro do chamado estilo nacional e, seguramente, antes de meados do século XVIII. Neste, podemos identificar as colunas espiraladas (pseudo-salomónicas) e as arquivoltas semicirculares.
Claro que é preciso ter em conta o caráter regionalizado e vernacular deste exemplar em talha nacional, aqui atestado pela policromia. Ostenta, ao centro e como remate, as armas da Ordem Beneditina.
Sobre os frontais dos altares colaterais encontramos sanefas neoclássicas que completavam um conjunto retabular da mesma época, mas que foi apeado durante as intervenções de restauro realizadas na década de 1960 a expensas da freguesia e que procurou acentuar o caráter medievo da Igreja.
Com a fachada voltada para o vale do Douro, a Igreja de São Cristóvão de Nogueira é representativa da organização e formação das paróquias na Baixa Idade Média (1000-1453).
Segundo a tradição, o Castelo de Sampaio, pequeno morro cónico a sul, na encosta da serra, teria sido o assento da primitiva freguesia e Igreja, depois transferida para o lugar de Nogueira, por mouros possantes.
Trata-se apenas de uma lenda, das muitas que marcam a consciência das comunidades, desejosas de se mostrarem herdeiras de um passado extraordinário e glorioso. Contudo, esta narrativa pode ajudar a perceber não a transferência da Igreja, mas a cisão de duas paróquias, inicialmente sujeitas ao Castelo situado em Sampaio, onde, provavelmente, se cultuava o Salvador, dado que ao território foi atribuído este hagiotopónimo.
Talvez ainda durante o século XII, a terra fracionou-se em duas paróquias: São João Baptista de Cinfães (de cuja igreja românica apenas subsiste um tímpano apeado ao lado da atual matriz barroca) e São Cristóvão de Nogueira.
Em 1258 ainda aparece a designação de Sancti Salvatoris de Nogueyra a par com Sancti Christofori de Nogueyra.
Profundamente alterada na Idade Moderna, que lhe reconstruiu a capela-mor (finais do século XVIII), lhe rasgou amplos janelões e lhe anexou edificações, a Igreja de São Cristóvão é estruturalmente uma construção medieval enquadrada no chamado românico de resistência, onde se conjugam as persistências de sabor românico com os anúncios do gótico.
A edificação desta Igreja deve ser entendida no âmbito da criação da nova freguesia, pelo que poderemos datar os vestígios românicos remanescentes da transição do século XII para o XIII.
De entre estes assume particular destaque o portal principal, tardio e inscrito na espessura do muro e sem colunas, mas cujas arquivoltas são ornadas no chanfro pelo motivo das pérolas, que conheceu grande fama na região envolvente.
Curioso é o portal lateral sul, dada a originalidade dos motivos esculpidos no arranque das aduelas. Duas mãos cerradas, colocadas sobre ambas as impostas seguram o que parece ser uma chave.
Também nos pés-direitos, definidos por uma aresta chanfrada, curiosos motivos decorativos, entre os quais destacamos um lagarto, do lado direito do observador. De resto, quer ao nível das restantes aduelas da arquivolta, como nas impostas e nos pés-direitos, imperam os motivos vegetalistas e fitomórficos entrelaçados relevados.
Composto por uma só arquivolta dominada pelo arco envolvente, na aduela do fecho vemos uma inscrição, bastante apagada, mas que pode traduzir-se em IHS, alusão a Cristo enquanto Salvador dos homens.
Ao nível dos alçados laterais da nave é de destacar o reaproveitamento de um friso decorado com palmetas bracarenses (lado norte, junto à torre sineira, a meia altura da nave) e de vários fragmentos de cornija ostentando ziguezagueados relevados.
A cachorrada da nave é bastante rica ao nível da temática esculpida. Figuras humanas e vários focinhos de animais recordam-nos que, particularmente durante a época românica, os modilhões foram assumidos como um elemento fulcral da composição arquitetónica.
No seu interior distingue-se um outro espírito, quase um horror ao vazio. Tendo em conta a regularidade dos paramentos das edificações românicas, estas mostraram-se importantes recetores da nova estética pós-tridentina, de que São Cristóvão de Nogueira constitui entre nós um bom exemplo.
O teto da nave mostra um rico trabalho barroco de artesoado e pintura, onde 57 painéis criaram um autêntico santoral: santos e santas da contrarreforma, santos bispos, apóstolos, mártires e os intercessores bem conhecidos do devocionário popular.
Embora tenha recebido uma policromia numa época posterior, que chegou mesmo a criar-lhe marmoreados, a talha desta Igreja representa os dois períodos que marcaram a sua conceção durante o século XVIII.
Nos retábulos colaterais, o estilo nacional e, no retábulo-mor, o barroco joanino, onde se destaca um imponente trono eucarístico. O recurso a este modo artístico tão português envolveu em Nogueira o arco triunfal, criou a guarda do púlpito, ornamentou os dois retábulos embutidos nas paredes da nave, confrontantes, e concebeu um extravagante coro alto.
A importância histórica de Tarouquela é hoje apenas assinalada pela remanescente Igreja que era parte integrante de um dos primeiros mosteiros femininos da ordem de São Bento a sul do Douro.
A sua origem, em meados do século XII, associa esta casa monástica a um casal, Ramiro Gonçalves e sua esposa D. Ouruana Nunes, que adquiriram uma herdade que fora de Egas Moniz, dito o Aio de Afonso Henriques, e sua mulher.
Nela fundaram um Mosteiro que o Bispo de Lamego reconheceu em 1171 e que os seus descendentes confirmaram. Embora Tarouquela seguisse inicialmente a Regra de Santo Agostinho, com D. Urraca Viegas, filha de Egas Moniz de Ortigosa, alterou-se o hábito e as monjas passaram a professar a Regra beneditina.
Gerido por dinastias de abadessas, a história deste Mosteiro cruza-se com a das famílias mais notáveis da região. A influência dos Resendes deixou-se de sentir quase simultaneamente em Tarouquela e em Cárquere (Resende), onde foi sepultado Vasco Martins de Resende, sobrinho de D. Aldonça, abadessa documentada na passagem do século XIII para o XIV e que foi uma das mais ativas com um longo período de gestão, que lhe permitiu dispor de bens dentro do seu círculo familiar.
É natural que com a cessação da influência dos Resendes, o abadessado fosse parar às mãos de familiares e padroeiros do Mosteiro, ainda que temporariamente. No século XIV encontramos Tarouquela nas mãos dos Pintos, de Ferreiros de Tendais. A partir do século XV as sobrinhas sucedem às tias, mantendo o poder numa família muito ligada às elites urbanas do Porto.
No século XV já se verifica algum declínio no Mosteiro. Além do seu caráter intrinsecamente familiar, do seu isolamento físico e da sua dimensão, nota-se algum desmazelo por parte das monjas tarouquelenses. As abadessas quebravam muitas vezes os votos celibatários e agiam conforme os seus interesses pessoais.
Em 1535, instala-se em Tarouquela uma regedora, a abadessa de Arouca, D. Maria de Melo, para serenar os ânimos derivados da vontade régia de extinção do Mosteiro e preparar a transição para São Bento de Ave-maria, no Porto, em 1536. Este Mosteiro, fundado em 1514 por D. Manuel I (r. 1495-1521), fora construído para reunir num só lugar as monjas de diversos institutos femininos, como foi exemplo Tarouquela.
A história de Tarouquela explica-nos bem os testemunhos artísticos que as várias épocas nos legaram nesta Igreja que foi monástica. Embora a fundação do Mosteiro de Santa Maria de Tarouquela remonte ao século XII, os testemunhos românicos presentes apontam-nos para uma cronologia mais recente, já de inícios do século XIII.
A arquitetura e ornamentação desta Igreja românica traduzem o que se fez de melhor neste território. A escultura patente nos portais, frestas, capitéis, cachorros, tímpano e cabeceira, atestam uma riqueza plástica que, acima de tudo, pretende passar uma mensagem simbólica.
Parte desta escultura é realizada para ter uma missão pedagógica, ou seja, passar a mensagem de Deus: a igreja na Época Medieval era conotada como a imagem terrena da Casa de Deus. Nesse sentido a Igreja de Tarouquela demonstra claramente, através das suas formas e da sua escultura, a missão catequética que os edifícios românicos atingiram no nosso território.
A ornamentação patente na escultura da cabeceira, tanto ao nível exterior como interior, dá corpo a um dos melhores exemplares da arquitetura românica em território português. Apesar de ter sofrido um aumento, na Época Moderna (séculos XVII/XVIII), para receber o altar-mor, aproveita o aparelho românico, comprovado pela abundante presença de siglas de canteiro
No interior, devemos destacar a presença da escultura de temática beneditina - os animais com função apotropaica (proteção contra o mal); dois homens com uma só cabeça; as serpentes; a sereia; o homem entre duas aves; as palmetas bracarenses e a ornamentação de cariz geométrico.
Outro elemento interessante é o altar de sagração românico e respetivo tabernáculo, inserido numas das arcadas cegas da capela-mor, no lado da Epístola. Também a decoração do arco triunfal deve ser realçada, pois é caracterizada pela ornamentação de animais afrontados.
Os cachorros são igualmente originais e representam as fraquezas humanas, como, por exemplo, o exibicionista, ou seja, o homem acocorado que segura os seus órgãos genitais. No alçado lateral esquerdo encontramos uma representação feminina com o sexo exposto.
No entanto, tem sido o arranjo do portal principal que mais desperta a atenção do espectador. A sua composição evidencia um programa ornamental bastante complexo, sendo considerado um dos mais curiosos exemplares da escultura românica portuguesa.
Neste espaço devemos distinguir o trabalho dos capitéis, mas têm sido os chamados cães de Tarouquela, que mais surpreendem. Encontram-se colocados sobre as impostas, de cada lado do portal e podem ser descritos como dois quadrúpedes de cujas mandíbulas pendem corpos humanos nus, presos pelas pernas. De evidente caráter apotropaico, testemunham uma vontade de afastar as forças malignas.
Adossada ao alçado lateral direito da Igreja, encontra-se a capela funerária de São João Baptista (atualmente sacristia), que foi instituída por Vasco Lourenço nos finais do século XV.
Até 1980, no seu interior poderíamos encontrar alguns túmulos, que atualmente podemos apreciar no exterior. Não sabemos quem são os tumulados, no entanto, alguns símbolos presentes nas tampas sepulcrais dão-nos algumas pistas, como por exemplo, a representação de uma espada e um báculo de abadessa.
Embora a imagem atual do interior da Igreja derive em grande parte duma intervenção de restauro realizada na década de 1970, a verdade é que esta chegou a ter cinco altares. Hoje apenas apreciamos o altar-mor e um outro, na nave, do lado esquerdo, ambos dentro da estética barroca.
Nos altares colaterais (mesas de altar em pedra), devemos destacar os vestígios mínimos de pintura mural que exibem interessantes barras decorativas manuelinas.
De notável trabalho é a escultura em médio relevo da Virgem entronizada amamentando o Menino Jesus, datada de cerca de 1500 e proveniente de uma oficina de Bruxelas (ou produção de Malines).
Nesta representação de Santa Maria, a Maior, colocada sobre mísula no retábulo-mor, do lado do Evangelho, junta-se ao hieratismo medieval da posição majestática, um virtuosismo que parece apelar à piedade moderna.